segunda-feira, 28 de junho de 2010

a correspondencia e a integração entre os opostos

Toda doença, toda dor, tem algo importante a lhe dizer, escute-a! Pois que todo mal tem algo de bom a ensinar.

O errado aponta o caminho para o certo
Assim como o mal desnuda e distingue o bem
Assim como ao medo aprende-se o amor
Assim como o que está em baixo engendra e dá suporte para que o que está em cima possa vir

terça-feira, 4 de maio de 2010

Comunidades Alternativas

Este é sem duvida o texto de maior importancia que publico neste reles blog, obviamente o texto não é de minha autoria, a autora não cedeu autorização para que eu o divulgasse, mas descaradamente o roubei e em respeito, principalmente ao seu poder de sintese de conhecimentos sobre a evolução social cito ao fim o seu nome. Senhores, leiam o texto, quem me conhece sabe do meu facinio e tambem designio pelas comunidades alternativas como sendo a única alternativa válida que possa gerar uma vida elevada aos homens, este texto condensa fatos e conhecimentos em evolução de modo esclarecedor... sem dúvidas vale a pena ler...





Em documentário, GNT, A Vida de Pitágoras, dia 25 de julho de 2001 foi relatado que esse filósofo grego que viveu no século VI A.C fundou uma comunidade filosófico-mística de caráter político na ilha de Crotona em que a propriedade era comum, isto é, tudo pertencia a todos sendo repartido em partes iguais, toda a terra, bens, dinheiro e posses pertenciam ao bem comum.O conhecimento harmonioso era o principal eixo dessa comunidade sem classes que se colocava contra pobreza, desigualdade, corrupção, opressão, guerras, buscavam um modo de vida ideal, uma existência pacífica sob a ótica da integração e paz, simbolizando a verdade e a liberdade, onde homens e mulheres pudessem viver em uma irmandade.A alimentação além de ser vegetariana estava ligada a arte , a ciência e a filosofia. Praticavam a meditação, utilizando Mantras como forma de alcançar o equilíbrio entre espírito-mente-corpo, o qual significava saúde e o papel da medicina era o de restabelecer a harmonia caso fosse rompida.Segundo Pitágoras o universo é unificado englobando o homem, apesar de conceber as dualidades, acreditava na unidade harmônica dos opostos complementares, acreditava em uma dialética universal, unindo filosofia ciência e arte. Esse modo de pensar ainda existe em várias linhas do pensamento moderno como base para o entendimento da unidade na diversidade, onde o todo é mais que as somas de suas partes, essa visão de mundo também é encontrada na mística moderna, onde os elementos fogo, água, ar e terra, estão presentes como partes de um todo unificado.Todos os pensadores após ele partiram de sua linha de raciocínio, como Platão e Aristóteles, e pode-se dizer que a comunidade fundada por Pitágoras foi a base para a formação das comunas constituídas de homens livres na Europa Ocidental no século XIII, em plena Idade Média, por não concordarem com o sistema feudal. (Enciclopédia Barsa, Vol. 11, pág. 106, 1969)O documentário, A Vida de Pitágoras, relata que Pitágoras e os pitagóricos influenciaram diferentes modos de pensar a existência, como os Kibutz, Marx, Lenin, Hippismo e Comunidades Alternativas, e que mesmo Marx, Lenin e Mao Tsé-Tung não conseguiram chegar tão perto como Pitágoras de uma sociedade justa e igualitária. A comunidade por ele formada sobreviveu por 50 anos com êxito, com prosperidade e, por isso foi invadida e destruída pelas cidades vizinhas nas quais era propagado que Pitágoras se colocava contra a liberdade e o direito de escolha, temiam sua ideologia e assassinaram-no como a quase todos os pitagóricos. Em levantamento bibliográfico realizado in Os Pensadores, 1978 e na História Dos Filósofos Ilustrada Pelos Textos, 1982, verificou-se que a ciência que se desenvolveu depois dos séculos XVI e XVII, época do Renascimento marcado pelo Iluminismo de Rousseau, Voltaire pelo Enciclopedismo de Diderot, pelo Despotismo Esclarecido e pelo empirismo científico com Copérnico, Bacon, Galileu, Descartes, Newton, Lavoisier, Mendel, Darwin, Giordano Bruno, entre outros fez descobertas matemáticas e científicas a partir de Pitágoras, colocando em prática técnicas experimentais que tiveram como resultado uma outra leitura dos fenômenos naturais e deram origem ao que hoje se conhece como ciência.O método científico iniciado parte do princípio que existe uma realidade objetiva, portanto torna-se necessário a elaboração de um modelo explicativo, que pretende explicar os fenômenos aparentes e prever os que não são através de verificação experimental. Esse deve ter princípios básicos objetivos e leis baseadas na ciência física, química, e em outras para descrever os fenômenos, onde é imprescindível o critério estatístico para se comprovar as leis.Com a evolução da ciência, os modelos explicativos foram se ampliando e surgindo novos fenômenos, sucessivamente, e a partir disso o homem mudou a forma de pensar sobre o mundo, com a revolução científica, o homem deixou de ser o centro do universo.Bacon influenciou Descartes e Leibnitz e esse apreciou Maquiavel no que diz respeito a aplicação do espírito científico na política, por esboçar as regras do método experimentai.Copérnico tendo-se baseado em Pitágoras, demonstrou que a Terra não ocupa o centro do universo e que é o terceiro planeta que gira em torno do sol, essa revelação preocupou a teologia cristã e as perseguições aos pensadores da Renascença iniciou. A ciência experimentai contentava os dogmas da Igreja Católica, e em conseqüência homens esclarecidos foram presos. Galileu confirma a teoria de Copérnico, demonstrando que a Terra gira em torno de si mesma e descobre as leis matemáticas da queda dos corpos, foi perseguido, até ser levado à fogueira e só foi perdoado pela Igreja recentemente.Se por um lado a ciência desenvolveu no homem uma crítica em relação aos mistérios do universo, ao mesmo tempo desenvolveu nas pessoas uma credibilidade no poder soberano de uma única ciência capaz de conhecer o mundo, a inevitabilidade do poder científico hermético.Giordano Bruno foi para a fogueira em 1600, em plena Renascença por declarar que os mundos são infinitos, que a Terra é semelhante a Lua, aos outros planetas e que as estrelas são infinitas. Disse que esses mundos eram incontáveis, disseminados num espaço infinito, com incontáveis constelações, sóis, planetas que giram em torno de seus sóis, nem piores, nem menos habitados que o planeta Terra.No século XVI deu-se início ao que se chama sociedade de classes e a partir do século XVII desenvolveu-se o capitalismo no mundo ocidental e o homem adquiriu a liberdade de ser patrão ou empregado conforme dispunha ou não dos meios para produzir a própria subsistência ou dos outros. Com isso o ser humano principalmente a partir do século XVIII com a Revolução Comercial passa de ser um fim em si mesmo para se tornar um meio dos interesses econômicos de outro homem, ou de empresas. A mecanização torna-se a aliada principal da mentalidade capitalista, influindo no caráter do homem, apoiado pela propaganda e pelo consumo que passa a ser o centro do mundo, onde a burguesia como classe dominante se consolida após a Revolução Francesa.Conforme levantamento bibliográfico realizado, no século XiX Durkheim, Weber, Rousseau, Marx entre outros voltaram-se para o estudo da sociedade, com a intenção de buscar um mundo melhor, mais justo, mas na realidade os dogmas cederam lugar ao cientificismo, ao consumo e o homem perdeu o seu lugar de importância no universo para converter-se em mero instrumento de sua própria expropriação.Karl Marx acertou quando escreveu os Manuscritos Econômicos e Filosóficos no século XIX, dizendo que o dinheiro é a maior proxeneta do mundo, que tudo, absolutamente tudo é vendável, até mesmo os sentidos humanos e acertou também ao dizer no Capital que o ponto crítico do capitalismo estava em transformar o possuidor em despossuído, porém não se concretizou a emancipação humana, advinda da elevação das forças produtivas, desejada desde a antiguidade, ocorrendo o inverso.As informações obtidas apontam que com o passar dos séculos XVIII, XIX, e no século XX, os homens já cansados do fracasso da utopia prometida pela Revolução Francesa, dos ideais, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e conforme resenha publicada na revista ANO ZERO, pág. 5 a 12, março, 1992, por Timothy Leary, esses homens lançam-se em manifestações pacifistas contra o imperialismo, contra as guerras.Através da contra-cultura iniciada nos anos 50 com seu apogeu na década de 60 quando todos os movimentos políticos tradicionais partiam do princípio que a sociedade era a justificativa para a existência do homem, o hippismo, na maior parte composto de jovens, intelectuais, educadores e artistas inverteu o processo, o homem era a única justificativa para a existência da sociedade. A sociedade deveria se adaptar as reais necessidades humanas, e dizer não ao consumismo desenfreado, a tecnologia armamentista, a discriminação de qualquer espécie e a destruição da vida.Reviveu o trabalho com as mãos (artesanato), deu maior importância a arte, e procurou na religião, no misticismo, na natureza, na alimentação natural, na medicina holística, na educação oriental as respostas para o desequilibro do mundo.ocidental industrial ocasionado pelo progresso e assim contra o consumo nasceu a solidariedade. A contestação foi incorporada pelo sistema capitalista, pela sociedade tradicional que começou a adotar suas roupas, consumir incensos, praticar Yoga, transformando a contestação em objeto de consumo. Essas pessoas perceberam que o sistema iria engoli-los e transformar um ato radical num mito, resolveram ir em busca de uma nova vida, em busca de uma convivência ideal, seria necessário reformular princípios, nasceu a partir daí as Comunidades Alternativas, que o mundo industrial considera até hoje brincadeira de crianças e de professores caducos.E o que nascera como um sonho romântico de paz e amor no século XX, antes almejado na Antiguidade por Pitágoras como a única visão de mundo racional, transformou-se provavelmente na única opção de sobrevivência da raça humana diante do desenvolvimento incontrolável do progresso e do desenvolvimento da tecnologia mundial. A sobrevivência do homem não depende mais de uma continuidade da história, e sim de uma alternativa para salvar a vida.As Comunidades Alternativas nasceram no Brasil em setembro de 1973 com Raul Seixas, Adalgisa Hallada, Salomé Nadine e com Paulo Coelho. Em 1974 participaram de um congresso reunindo as principais Comunidades Alternativas do mundo, apresentando sua declaração de direitos. A Comunidade Alternativa no Brasil foi reconhecida mundialmente em 17 de fevereiro de 1974, conforme relatos de seus fundadores.Na comunidade tradicional, isto é, principalmente na sociedade contemporânea, a cultura e a ciência tem ajudado a modificar de forma radical o curso da vida, transformando a riqueza em miséria, o remédio em veneno, o conhecimento em arma implodindo a sabedoria.Não são raras as ações, costumes e ideologias que ocorrem no mundo globalizado envolvendo os seres vivos em uma inter-relação que não compreende a biodiversidade. O Brasil é um país de rara beleza desmatada, rico em recursos naturais envenenados, cientificamente produtivo se apropriando da sabedoria indígena milenar exterminando-a; a maioria de seus governantes estão altamente comprometidos com a mundialização da pobreza e da corrupção, com a globalização predatória e com o desenvolvimento da destruição da vida planetária.Assim acredita-se que as Comunidades Alternativas espalhadas pelo mundo, e em particular no Brasil expressam a preocupação assinalada em Weber com o "desencantamento do mundo", uma preocupação com o progresso da instrumentalização refletida e reforçada no modo de vida ocidental industrial, cada vez mais globalizado, orientado pelo capital principalmente nos países mais desenvolvidos que mantém subordinados os países periféricosNos anos 50, nos Estados Unidos, um grupo de artistas e escritores, os Beatniks, cujo porta voz era o poeta Allen Ginsberg e seu herói filosófico William Burroughs formavam a vanguarda contra sistemas burocráticos fechados, denunciaram a Guerra Fria, praticavam Yoga oriental, defendiam os direitos das mulheres, dos gays e a liberdade sexual. Foram os professores da geração dos anos 60 a favor da liberação mental, através dos princípios do Xamanismo, Budismo, onde o princípio era a unidade cósmica, buscavam na teoria da relatividade de Einstein e em Heisenberg valores libertários, difundiram suas idéias no mundo, ganharam a China e o Terceiro Mundo. Ensinaram a sabedoria da Cultura Negra e o Jazz.Nos anos 60 a filosofia hippy se espalhou pelo mundo através dos Estados Unidos, em 1965 a contra-cultura era um movimento global e a temática hindu-místico-cool de Allen Ginsberg e de William Burroughs, através dos Beats, das rádios alternativas ultrapassavam fronteiras. No ano de 1967 as crianças sobreviventes de Hiroshima com a idade de 21 anos lembravam ao mundo o grande progresso científico, as potentes armas nucleares. Em 1969 a força do movimento estudantil atravessou oceanos e 500 mil pessoas foram a Woodstock, Nova Iorque e às manifestações contra a guerra, contra a destruição da vida; um jovem tornou-se o símbolo do movimento pela paz quando colocou uma flor no cano da arma de um soldado que o ameaçava.Chegaram os anos 70, o fanatismo político, o fascismo perdia sua batalha. As idéias de Karl Marx, em relação as grandes transformações no que diz respeito ao desenvolvimento das forças produtivas, principalmente sua aplicação para melhorar as condições de vida não ocorreram, muito pelo contrário, o Taylorismo/Fordismo provocou uma crise da subjetividade, onde o sentido de vida passou cada vez mais a ser orientado pelo consumo, pela produção, o objeto tornou-se sujeito e a subjetividade capturada pelo desenvolvimento das forças produtivas, a aparência transgride a ética, a estética torna-se desencantada.O movimento por uma vida melhor ameaça as nações industriais da Europa Ocidental, através dos movimentos ecológicos, desarmamento, liberdade de expressão, contra a exclusão, o racismo e centralização. Nos anos 80 explodiu apelos nos diversos países como Japão, Coréia do Sul, China, Brasil e outros mais contra o autoritarismo, o dogmatismo, pelo fim da corrupção, contra práticas econômicas desleais.Nos anos 90, o início do mundo cibernético, das "realidades virtuais" , dos programas educativos, interativos, multimídia marcam a cultura e filosofia do mundo da informação de Wiliiam Gibson, com conceitos novos de ciberespaço, cyberpunks, que ele denominou de "Matrix" e os protestos continuaram em todos os sentidos, em todas as direções, a ciência tomou novos rumos.Um "novo" modo de pensar começa a surgir, percebe-se que a dor e o sofrimento de um é a dor e o sofrimento de todos, que é necessário buscar uma harmonização com a natureza, pois percebe-se que o homem é parte dela, é a criatividade na arte da própria vida emergindo como o único caminho para a sabedoria contra a destruição da vida no planeta.A Rio-92 deixou claro que o homem está pagando o preço exato pelo desenvolvimento das forças produtivas, que só uma minoria usufrui e essa mesma minoria tira o que pode da natureza, sem perceber que é parte dela. São os minerais arrancados do subsolo a qualquer preço, as florestas devastadas, as espécies extintas, as águas e o ar poluídos, a alimentação com agrotóxicos e os transgênicos consumidos, a desertificação, as alterações climáticas. O aquecimento da Terra, devido a emissão na atmosfera de gases como o dióxido de carbono e os clorofluorcarbonos causando o degelo das regiões polares são causados pelas usinas de energia e pelos automóveis.Os cientistas alertam que até o ano de 2050 o nível da água do mar subirá 70 cm e, ao atingir 1 m, 300 milhões de pessoas, em todo mundo, perderão áreas onde vivem, a catástrofe atingirá também os países ricos do Hemisfério Norte, os quais segundo a ONU, são responsáveis pela emissão de 3 bilhões de toneladas de gases que causam o efeito estufa. É esse o preço que todos pagamos pelo enriquecimento, pelo superdesenvolvimento, nas nações mais pobres essas condições tornam-se desumanas.A desertificação será responsável pela fome generalizada da humanidade, areia sem água tomam o lugar da vida animal e vegetal, das terras férteis. Segundo a ONU 30% da superfície terrestre sofre processos de desertificação branda, moderada ou grave, 6% classifica-se como gravíssima. É essa a qualidade de vida buscada pelo homem em nome de suas necessidades.Felizmente uma nova consciência , uma cultura alternativa e as paraciências estão ganhando espaço, é um pedido de socorro que alguns estão tentando ainda de forma rudimentar fazer chegar aos quatro cantos do planeta, é o momento de reavaliar valores e as necessidades do micro-ondas, das peles, da manipulação do átomo, do ar condicionado, da caça predatória, do lixo industrial e da engenharia genética.A sociedade industrial necessita de uma sociedade de massa, onde o consumo é organizado por corporações que necessitam de mercado estáveis e iguais para absorver sua linha de produção. Os produtos de consumo definem a massa e compreender a estrutura da sociedade tradicional, de consumo, é compreender o que acontecerá à nossa civilização.A massa vive em cidades, fisicamente restritas as suas casas e socialmente separadas, repleta de solidão possui regras, regulamentos, lideranças condicionadas ao melhor veículo de consumo.As doenças provenientes desse progresso globalizado matam plantas, animais, homens e aniquilam a vida em nome do desenvolvimento que estagna o planeta que se intitula qualidade de vida, um progresso que se não for barrado acabará com as futuras gerações, porque não haverá mais vida.

Marcia Valéria

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Filosofia de Zhuangzi (O Tao)



- O Segredo do Crescimento
O cozinheiro do príncipe Wen Hui estava a trinchar um boi. Os movimentos da mão, os jeitos de ombro, os movimento dos pés, o atirar do joelho, o som da carne a apartar-se e ser cortada e o zumbido da faca todos estavam num ritmo perfeito, como se fosse uma dança ou uma sinfonia.
- É maravilhoso ver como conseguiste dominar a tua técnica ! - comentou o príncipe.
O cozinheiro pousou a sua faca e disse:
- Procuro agir de acordo com o Tao, a ordem natural das coisas. É algo que está para além da mera técnica. Quando comecei a talhar, via à minha frente o boi todo. Mas, depois de três anos de prática, já não os via como um todo. Via as distinções. E, agora, os meus sentidos param de funcionar e é o espírito que me guia livremente. Sem um plano, seguindo o instinto, sigo as fibras naturais deixando a faca encontrar o seu caminho entre as muitas aberturas escondidas, tirando proveito do que lá está, sem tocar nunca num ligamento ou tendão e muito menos numa articulação importante.
Um bom cozinheiro muda de faca uma vez por ano, porque sabe trinchar, enquanto um cozinheiro medíocre tem que mudar de faca cada mês, porque só sabe cortar. Pois eu já tenho esta minha faca há dezenove anos e trinchei milhares de bois com ela. E, no entanto, a lâmina está tão fresca como quando saiu da pedra de afiar. Há espaços entre as articulações. E a lâmina da faca, que quase não tem espessura, tem mais que espaço para passar através desses espaços. E é por isso que, passados dezenove anos, a minha lâmina está tão afiada como sempre.
É verdade que há articulações mais difíceis. Quando as sinto aproximar, avalio bem a articulação que surgiu e olho-a com cuidado, mantendo sempre os olhos no que faço e trabalhando devagar. E então, com um movimento muito suave da faca, trincho todo o boi em dois. E ele desmancha-se como um torrão de terra ao cair no chão. Aí, retiro a faca e fico parado, com a sensação de ter conseguido algo de muito importante. Depois, limpo a lâmina e pouso a faca.
- É isso!, disse o príncipe. O meu cozinheiro mostrou-me como devo viver a minha vida!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

“Uma abelha só, não faz primavera”



“Uma abelha só,
não faz primavera”






Ao voltar de uma caminhada matinal pelo bosque, adentro a minha casa e me deparo com meu pai, a regar, corriqueiro, as plantinhas que cultivávamos no corredor. Ele carregava consigo, para tal, um baldão d’água, o qual tentava não chacoalhar muito...

__Mas já são onze horas pai, não deveria regá-las nesse horário!
__Por que não? O que tem de mais?
Já lhe havia explicado isso antes, mas, como sempre, ele fingia não se lembrar...
__Tem é que o sol já está a pino, meu velho, assim vai dar um choque térmico nestas plantas! Pode até as matar... O certo mesmo é regar nos crepúsculos, da manhã e da noite, quando o clima é ameno.
__Acha! Porquê? Isso não faz sentido! E se caísse uma chuva aqui agora? Se fosse assim também as mataria! O que eu saiba não ocorra...

Parei e lhe fiz aquela minha cara de desconsolo...
__Mas que cabeça grossa a tua, hein meu velho!? Acaso estais aí a comparar o teu balde d’água à perfeição na qual se dá uma chuva? Ora, os pensamentos não nos devem ser assim tão curtos... Nada se compara à perfeição maestral com a qual a natureza executa uma chuva! Este teu balde d’água, acredite, jamais poderá fazer o que uma chuva faz! Se chovesse aqui agora, como estais aí a dizer, o caso nos seria bem outro... Pois que os céus, quando põe-se a verter água sobre a terra, em sua perfeição, o faz sob a forma de negras nuvens, as quais, no momento da chuva, pairam no ar, a cobrir o sol sobre a terra regada... E há ainda outros diversos fatores, provenientes do fenômeno, que, a agirem em conjunto harmônico, formam ali o que se chamaria de “clima ideal”. Assim, quando a planta recebe o seu “elixir de vida” advindo da chuva, toda a atmosfera circundante lhe é favorável para que ela possa sorver o mineral sem que a temperatura deste a agrida! E é por isso que elas não morrem com a chuva... Agora, muito diferente é, nesse calorão, jogar-lhes uma baldada d’água, entende? O senhor pode as matar assim... Pois que plantas são seres sensiveis, meu velho... O que estais aí a fazer, em pura displicência, é como dar um soco na boca das plantas! Pensa nisso...

Ele para... Aos poucos vejo surgir em seus olhos um brilho vago, não sei dizer, talvez fosse constrangimento, ou talvez se sentisse um pouco emburricado com a estória, não sei. Mas jamais admitiria que eu estivesse certo. Não se rebaixaria. Logo então começou, num sorrisinho crescente e num arzinho cômico, a debochar-se interiormente.
Por fim soltou aquela sua gargalhada irônica, chacoalhando o balde, a derramar um pouco d’água pelo chão...

__Ah! Cê num sabe de nada, rapaz, eu rego elas assim mesmo, sempre reguei. Cê num tem nada pra fazê agora não? Vai arrumá direito aquele quarto lá, vai!

Ao que só pude, em silencio e desencanto, sair andando...

Schuuaaaá...!




Paulo Salvino

domingo, 10 de janeiro de 2010

O caminho do conhecer



"O caminho do conhecer "

O saber não é filosófico, filosofia é conjectura de idéias, o que não é um saber por sí, mas uma mera reflexão investigativa da mente, a filosofia pode investigar o saber, mas não quer dizer que ela em si gere este saber, não quer dizer que filosofar faz saber, o que digo é que não é filosofando que te tornarás o sabedor... Filosofia é um exercicio e sim, muito valioso. A filosofia amacia e amplia a mente, mas não é nela que se dá o saber, o saber não poderia nunca estar contido na filosofia, pois pelo contrario a filosofia é uma consequencia e um reflexo de um saber anterior que ainda a volir se desenvolve dentro do ente, ou seja, sí estais a filosofar necessáriamente é por que tu já sabeis, mesmo que não saibas que saibas, mesmo que não saibas o que saibas, com a filosofia solamente entenderás um saber anterior (entendas que entender e saber são coisas distintas). Assim, a filosofia em sí não é a mãe do saber, mas antes filha. A natureza do saber, ou seja, a natureza do conhecimento é existencial, feita de sentir, saber é uma experiencia, saber é sentir algo profundamente num momento intenso de vida, só sentindo saberás e quando estiveres a sentir alto saibas que estarás então vazio, não haverão conjecturas, não haverá pensamento, a mente cessará por um segundo, eis quando saberás, veja que não há filosofia no momento do conhecimento, depois sim virá... Assim advirto, si buscas o saber, saibas então que não basta o filosofar, terás de sentir para chegar ao conhecimento. Este é o caminho, sintas... E para sentir basta querer. Então vá e queiras, queira sentir alto sobre esta vida e saberás de cima tudo o que há para sí saber, eis alí a morada do conhecimento maior... Vou evidenciar isso agora num exemplo pratico e rotineiro de vida. Imaginas que estás a ler um texto, um texto qualquer, estais a ler este texto, saibas que para captar o conhecimento nele contido não basta que leia-o com boa atenção ou mesmo que reflita em suas palavras, não, não basta refletir, não chegarás assim em sua essencia nunca, o essencial, a chave que abre a porta deste texto, como as portas de todo o conhecimento, é únicamente o vazio de um sentir profundo...
É por isso que quando vejo camaradas que se atiçam à esta ventura mágica da caça do conhecimento, quando os sinto e vejo em reflexões profundas, eu que bem sei desta fome quando internamente desperta, me agracio vendo-os, mas sei que com isso na grande maioria das vezes sofrer-ão, pois sei que difícil é realizar-se de conhecimento, necessita-se transmutar-se, elevar-se e iluminar-se para tal, e para tal necessitas de achar a fonte, terás de beber desta fonte, a fonte do conhecimento! O ângulo que quero lhes dar do rumo(não que eu já esteje lá, pois que estou ainda rumando), é outro e muito mais profundo do que qualquer espécie de filosofia, quero mostrar-lhes claramente onde está esta fonte nonde poderão a vontade colher o vosso conhecimento, dependerá tão somente de vossa vontade.... Eis o caminho da fonte, vai e medita, pois que meditando te alargas, amplias o teu sentir e a sentir amplo atingirás amplitude de conhecimento. Simples não? Então vai e medita, eis o caminho do conhecer...

Salví

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Medita


MEDITA


"Até dentro há o mundo, há o outro, ou todas as tensões que estas interações geram”.

"Há de haver então o momento em que se fica em si para si, para ter apenas consigo sobre si próprio."

“Um homem parado, vazio e de olhos fechados, sentindo, pode ver e elevar a si mesmo”.

"É quando o homem nú de olhos fechados vê".



. "E neste momento em que tudo se acalma e se clareia dentro de si, amaciando-se, emancipando e expandindo a sua consciência, percebe-se algo, algo alem, uma interação mais sutil, passa a ver e a sentir além".

"É quando começa a ouvir e a sentir uma voz vazia que lhe sopra um sentimento sublime da verdade sobre o tudo e o todo. E na medida em que adentra em vigor nesta verdade vai adentrando também no estado sublime da paz, culminando num estado de amor e união que vai tomando o ente por inteiro, lhe aproximando de todo o seu potencial de virtudes, um estado de sutil potencia que faz tocar o ente as suas forças mais intrínsecas. Algo tão sutil que, embora poderoso e sublime, na pesada vida logo se dissolve, não se mantendo por muitos passos adiante. Há, no entanto nitidamente ao buscador indícios de um caminho que lhe guia à possibilidade da perpetuação deste estado de paz, potencia e união com o cosmos. É quando este algo alem lhe inspira a busca de uma entrega!"

Salví

Si queres saber mais a respeito do meditar acesse o link abaixo e assista ao video explicativo:

http://video.google.com/videoplay?docid=7939505976833408618#